Quadro Procissão do Campo de Lurdes de Deus
Quem observa seus quadros pode, ingenuamente, ver apenas flores, festas populares e procissões. Doce ilusão. Há nas imagens da artista um denso sentimento estético, expresso em formas bem definidas e cores vívidas. Mas há pouco de ingenuidade nesse processo. Assim como o poeta falava das flores, as telas de Lourdes parecem ser feitas para decorar, mas revelam uma consciente e elaborada transformação da realidade. As festas populares do interior e as formas da natureza ganham então novas conotações e levam a refletir sobre a complexidade do mundo moderno que nos afasta das coisas mais simples e belas da vida.
A pintora, portanto, reintroduz nosso olhar no cotidiano. Flores não são apenas elementos da natureza, mas indiciam a ingenuidade perdida pela vida atribulada, enquanto as festividades do interior e procissões indicam um caminho possível para recuperar o prazer de viver.

